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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Belo talhe






                         

Ana Borm e Sérgio L. Nastasi - Fevereiro 2012


Das ondas dos vestidos,
Contavam-me os ventos
Segredos das virtudes
Florindo, assim, tudo feito.

                                                                             Silhuetas de moças
                                                                     Pensamentos incomuns
                                                                                          Só ela seduz
                                                                   Estranhando suas coxas.


Inventa o próprio corpo
dedo a dedo: detalhe
examina um e outro
seio a seio: belo talhe


                                                         Compara ainda com a sombra
                                                                e anda de lado ao espelho,
                                                                       cruza braços e joelhos,
                                                            respira os ventos e as ondas.




domingo, 1 de janeiro de 2012

Enterro


 Ana Borm e Sérgio L. Nastasi - Janeiro 2012



Silêncio de tua alma,
doce e puro enterro
nosso amor se foi,
ou nunca existiu.

Sombrio é teu quarto
rosto de um perro
amoroso de acalantos
ou de cantos altos

Garanto que minhas preces
já terminaram em pobres palavras
Seu rosto,
minha consciência sufocada.

Garanto que pouco garanto
canto quase aos sussurros
e dou murros aos montes
no céu negro distante

Já distante de tuas mãos
Consigo enxergar o vazio
suspiro na noite escondida,
me assombro, triste solidão

Não sei se a noite se esconde
ou se eu mesmo a assombro,
mas sigo a falar de vazio
e imaginar teus belos ombros

Ainda deparo-me com a noite
que me faz chorar
e penso que vou morrer
antes de te abraçar

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Breve

Dez e meia da tarde,
esta hora perigosa,
sem vento e sem sol,
sem eu e sem Nós.

Mas, onde está o perigo ?
nas dez e meia,
no mesmo silêncio,
ou nas lembranças?

E quando o silêncio é o mesmo de antes
o Antes é Durante
que não se espalha leve
como a seda leve,
como fogo na seda...

Fim da tarde
e cada passo tornado breve.
Acenda seus pés.


(ANA BORM e Sérgio L. Nastasi - Outubro 2011)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Acaso


Ana Borm e Sérgio L. Nastasi – setembro 2011



Por tantas lástimas
encontro o significado de julgar

Por tanta graça

estranho meu próprio olhar 

Desgraça pouca:
olho nos olhos da culpa

Desfaço a minha desculpa
que julgava solta

Entrelaço nossos medos
num leve fecho de solidão
Espero que nos demos,
ou que seremos,
a certeza de um não




Só lido com o sólido
Solitário eu parto
Farto de vidas duplas
Amo e odeio as culpas
Estar contigo: conceito inato.

Não perco minha gratidão
Não me esqueço dos contatos
Sei ser breve a ilusão
Sorrio aos fatos
Engano somente o não exato
Que procuras em mim
Compondo íntimos relatos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Em outras palavras



Ana Borm e Sérgio L. Nastasi



Não há tantas palavras para descrever um sentimento,

mas há muitas sensações que nos submetem,
ainda mais quando  todo olhar faz transmitir um efeito luminoso,
 quente e tão incomum de se ver.
pois está mais penetrante e mais vivo
a partir de quando se deixa brilhar,
vagueando sobre ondas veneráveis.


diz-se que é o começo do indivíduo
de quem que se depara em vão
com o vão
 que há depois da despedida.

porém, não me esqueceria dos abraços que fizeram diferenças 
nas expectativas de te rever,

pequena fonte celeste

e os dicionários nunca dizem
o prazer que é mastigar cada letra da palavra Leite.

então, chega de palavras por um momento,
quero abraçá-la fora do poema,
quero falar diretamente.


e o que você fará de mim quando,
um dia,

todas as minhas palavras entrarem na sua boca?

a palavra Língua,
o idioma inteiro,
francês, inglês, castelhano...
demorará muito?
um ano?

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Nosso Poema Perto, Nós Longe


Megan Roodenrys. Theresa.



Por mais de um minuto,
sentido absoluto,
sem lógica mesmo, 


sabia, intuia, sem lógos,
que não voltaria mais.


Seria exato
juntar-me aos seus lábios
antes de se afastarem,
mas na sombra, noutro tempo...









Soluço outro silêncio, 
seu corpo é quieto, 
é quase um convento,
é um pouco deserto.


E não voltou,
tinha certeza.


                        Ora,

                                o que era Longe



                     entregou-se ao instante


                      que ninguém convidou.


                                     Deplorável...




                          E o que estava Perto



                            ergueu-se no vácuo



                        de um voo improvável




ANA BORM e Sérgio L. Nastasi (Junho 2011)

sábado, 11 de junho de 2011

com certeza

quando digo me seduz
com certeza me conduz
a um rumo caprichoso

quando digo me complete
com certeza me sugere
um começo duvidoso

quando digo me guarde
com certeza me responde
com um suspiro silencioso

quando digo me reviro
com certeza me refiro
a um avesso luminoso

quando digo que não digo
com certeza me atrevo
a duas línguas repartidas

quando digo me aguarde
com certeza me aplaude
com as mãos escondidas

quando digo com certeza
com certeza me diz sim
a um sempre delicioso

Ana Borm e Sérgio L. Nastasi (Junho 2011)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Buraco



Não há poema que não sangre,



será que as ideias morreram?






Será que a tua boca é um buraco?

Ou apenas uma mentira para nos confundir?





Talvez eu não te zangue


Com um poema ruim






Vamos retomar o fôlego

Esquecendo o suor tenebroso

Por onde caminhamos sem fim





Vamos além da cratera



Dos nossos umbigos






Quem sabe uma esfera,

Um abrigo, outros perigos...





O olho que não enxerga

A cor azul,

O olho teu que nos vê

Assustados






O mesmo que se sente abusado


Por ver somente o que não convém



Vamos além dos braços suados



De novo e de novo


Estamos esgotados






Enquanto vamos pensando:

Para que nos torturar assim?









Outros que nos experimentem

O nosso rosto e a nossa mão,

Tudo o mais que surgiu





E que tudo se acabe com o perdão


De um pecado que jamais existiu





 (ANA BORM e Sérgio L. Nastasi - Janeiro 2011)



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quente ou talvez perigoso...


Quero escapar pelos teus braços
Um momento de deslize e deleite
Quero como num sonho,
Que se perde antes que se deite


Quero como num tumulto
Onde a gente se surpreende
Com as emoções
Pulsando em toda a mente
Desse modo frio
Ou daquele um pouco mais quente
Mais quente ou talvez perigoso
que a cada dia me deixa ansioso
e com o braço pueril
daquele ponto em diante, finalmente
Entendia o que eu queria eriçado
Sobre a pele que se desfazia

Eu,
Que mau algum cometeria
Ao ver teus braços cruzados
Apenas esperava alguns de teus passos delicados
Ou alguns de teus dedos
Ou alguns de teus lábios 


E tu ainda cuidadosamente,
Eu um tanto desesperado,
via teu pequeno e extremo passo:
pisava-me nos meus pés
como quem pisa de leve
um tapete fofo
aquele feito neve
 branco detalhe em teu rosto


E quando penso que decifro
o que há por traz do teu disfarce
grande desgosto:
neve fria
de praxe



(Ana Borm e Sérgio L. Nastasi - Dezembro 2010)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

PASSARELAS




Por que me vigiavam as janelas abertas com quatro óculos de vidro?
Por que avista todos os dias seres e rotinas diferentes?
Será por causa das borboletas em meu vestido?
Ou por causa das impurezas que ainda há ao meu redor?

Segue a casa catando vento no telhado...
E se olharmos de outro ângulo, poderemos ver um belo ninho de pássaros
Quero olhar de canto e ouvir o canto, compasso por compasso
Que me fazem flutuar, espaço a espaço


Segue o pássaro cantando lento no assombreado quintal...


Lá no alto posso ver do estranho ao impossível
Porque cá embaixo já vi o impossível do estranho

Lá no alto posso ser imprevisível
Porque cá embaixo é natural ser invisível
ou sem tamanho...



Sei que era um vigiar indiferente
O olho alerta das sentinelas
E eu que me desequilibrava facilmente,
Voejava contente fitado pelas janelas




(Ana Borm e Sérgio L. Nastasi- Novembro 2010)