sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Roberto Ribeiro

Nem todos os sambistas são grandes cantores. Suas vozes embargam logo ao primeiro trago no cigarro ou ao  bebericar na cerveja. Mas João Nogueira e Jamelão, por exemplo, definitivamente não estão nesta lista um tanto maldosa, diga-se... Nela também não figura Roberto Ribeiro. A Império Serrano cantou com sua voz de 1974 a 1981. 





Império Serrano 1969, Heróis da liberdade:




Império Serrano 1975 ("o samba que perdeu"), Estrela de Madureira:

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Prepúcios do Cérebro: pensamento cansado


Dá para ser mais vivo longe dos cum-quibus que rolam pelo estômago. Mais vivo talvez queira dizer menos parado, estacado, e somente isso. Mas não chega a ser a prazerosa sonolência que por ora nos deixa inativos, pelo contrário, ela nos entorpece, nos embriaga, afinal. Assim o oposto de mais vivo nunca será menos morto, pois dessa equação resultará o mais-cansado. O que é isso? É outra coisa, outro lugar de expressão. Porque não é preciso enfiar na boca uma expressão e mastigá-la como uma corrente de bicicleta ou mesmo engoli-la com toda a força. Ela é sempre muito mais simples do que pensamos, aliás, qualquer coisa que dela se pense já dá no mesmo de ter permanecido impensado. Muito porque sabemos que “o simples” pode ser intuído, isto é, não remeter ao fluxo-filtro do entendimento. Ou seja, estamos indo bem! 




Mas cada vírgula é um abismo, e é perigoso... Por isso nos parece muito bom sugerir que o travamento das ideias seja uma velhice solene de uma maneira de pensar, e que desta para outra não se faz mais com um pulo, ou com um salto de bailarina e sua intensidade juvenil, porém como os velhos: ir sentando, deitando, dormindo e, quem sabe, caindo. Nesta queda ou neste indomável desarranjo na cabeça nada se agita, apenas recua, está de ressaca. É como quando alguém pergunta O que significa isto? quando esta não é mais ou nunca foi a questão. O cansaço, enfim, é admirado e detestado ao mesmo tempo... É também o dia em que não se fala coisa com coisa, quando a clausura dos sistemas, aparelhos, dispositivos é colocada à prova, quando estes Prepúcios enrijecem o cérebro. O pensamento cansado pode despontar quando surge um elefante a passear sobre os conceitos. Dá para ser mais vivo. A nossa proponência: vamos celebrar o cansaço como o cair do caos para se agarrar a um chão inventado, isto é, dançar.



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quente ou talvez perigoso...


Quero escapar pelos teus braços
Um momento de deslize e deleite
Quero como num sonho,
Que se perde antes que se deite


Quero como num tumulto
Onde a gente se surpreende
Com as emoções
Pulsando em toda a mente
Desse modo frio
Ou daquele um pouco mais quente
Mais quente ou talvez perigoso
que a cada dia me deixa ansioso
e com o braço pueril
daquele ponto em diante, finalmente
Entendia o que eu queria eriçado
Sobre a pele que se desfazia

Eu,
Que mau algum cometeria
Ao ver teus braços cruzados
Apenas esperava alguns de teus passos delicados
Ou alguns de teus dedos
Ou alguns de teus lábios 


E tu ainda cuidadosamente,
Eu um tanto desesperado,
via teu pequeno e extremo passo:
pisava-me nos meus pés
como quem pisa de leve
um tapete fofo
aquele feito neve
 branco detalhe em teu rosto


E quando penso que decifro
o que há por traz do teu disfarce
grande desgosto:
neve fria
de praxe



(Ana Borm e Sérgio L. Nastasi - Dezembro 2010)