sábado, 26 de setembro de 2009

Fragmento do Romance O Ninho de Farpas


O momento peremptório surge, devo entrar com “a respiração lenta”, como diz Dmitri ao Grinaldo. Porém nada adianta, técnica nenhuma dá cabo ao receio. Há duas dezenas de pessoas no teatro. Não vejo o palco, o que me dá a impressão de que estou sobre tal plataforma. A face exasperada duma atriz correndo por trás de cada um e colocando pequenas cestas ou sacolas no chão reflete o laranja fraco que as luzes proporcionam da direita para a esquerda, e deixam uma parte no quase breu. Dmitri traja uma roupa limpa de Seu Grinaldo, e este, uma camisa preta com dizeres em grego. A trupe senta-se conosco no piso alaranjado. Um ator negro, muito forte, com os olhos qual o que de um pai-de-santo virado no caboclo, ajoelha-se e joga as costas em direção aos pés até que sua cabeça os alcança. Uma atriz loura de belos olhos azuis ou verdes, porque não avisto direito, joga uma corrente por cima de todos e diz: “não a toquem, pois se machucarão”; o arame farpado serpenteia o chão conduzido por um habilidoso ator do qual só posso ver o vulto. Não há música, nenhum outro efeito senão a iluminação; Dmitri fecha os olhos, e Seu Grinaldo arreda o arame que roça seu joelho. De repente, a moça que está ao meu lado deita seu ombro direto no chão, assim como fazem as pessoas nas laterais dos ônibus. Todos fazem o mesmo. Estamos presos ao chão porque cercados pelo arame.



"O Ninho de Farpas" Capítulo "Coxias" Copyright 2009 Sérgio Lima Nastasi

O Ninho de Farpas

Lançamento do meu primeiro romance, O Ninho de Farpas, pelo Clube de Autores, projeto pioneiro no Brasil e que atrai muitos escritores jovens a publicar seus livros sem que dependam da boa vontade das editoras tradicionais, ou melhor, da má vontade.


As vendas só serão feitas via Internet pelo fato de ser uma publicação 100% sob demanda,
ou seja, venda livro a livro, pois não há estoque.

Este link sgue diretamente à página do Clube. Leia a descrição e adquira seu exemplar:



http://clubedeautores.com.br/book/4801--O_Ninho_de_Farpas

Buscapé:

http://compare.buscape.com.br/proc_unico?id=3482&raiz=3482&kw=ninho+farpas


E também está disponível pelo Que Barato:


http://www.quebarato.com.br/busca.htm?catid=50&gr=1&nitens=16&kw=s%E9rgio+lima+nastasi&uf=&pmin=&pmax=&page=2


Obrigado!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

AULAS DO PROFº WASHINGTON LUÍS D' A REPÚBLICA DE PLATÃO.

UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO
Gravações por Marcelo Paes.
Aulas de Filosofia Política em Mp3.


Livro I:
http://www.4shared.com/file/97022188/9c1b5436/fil_poli_repub_livro_1.html

Livros II e III:
http://www.4shared.com/file/97022185/e2aa288b/fil_poli_repub_livro_2_e_3.html

Livros IV e V:
http://www.4shared.com/file/96946693/96c792f1/Aula_Rep_Livro_IV_V.html


Livros V e VI:
http://www.4shared.com/file/96782130/80f62662/Aula_Rep_Livro_V_VI_Teoria_C.html


Livro VII:
http://www.4shared.com/file/96782136/69958357/Aula_Rep_Livro_Teoria_do_con.html


Continuação do Livro VII e início do VIII:
http://www.4shared.com/file/97022189/eb1c64a0/filo_poli_republk_fim_7__e_comeo_8.html


Livro IX e X:
http://www.4shared.com/file/97022190/8bdbed45/filo_pili_republ_fim.html


"A REPÚBLICA" de Platão

terça-feira, 12 de maio de 2009

Tão bom é, logo depois de postar, querer excluir a última postagem por achá-la tola, mas , se assim sempre o fizesse, que merda seria meu blog, como assim é enquanto expor tão ruins impressões, porém, o que são elas aqui? Coisas desconexas. E esta?! Uma outra postagem terrível, ou deinós, como diz o P. Marcos...e ninguém escreve professor com "P.", pensarão que é Padre Marcos.
Embora ache comovente abrir um parágrafo aqui, ele é tão necessário que meus pés deslizaram para o fundo até tocarem a parede, não sei se isto é algo que exprime para todos, fisicamente, o gozo, mas que verdadeiramente estou assim um tanto abstraido neste blog, estou.
Será que terei de dar razão ao Fernando A. R. da minha "semelhança" com Woody Allen?
Em qual ponto? Esta escrita paranoica?
Enfim, "viver tanto e tanto pra morrer cagando de canto em canto".

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Portugal está frio.
(conto para Danilo Feitosa)


Portugal já não me é o mesmo de nove anos atrás, por mais que ela me diga que ainda está agarrado à velha Espanha. Talvez nem a terra espanhola esteja grudada no luso país. Quiçá, este seu argumento, Claudia, seja porque você vivia na fronteira. Você não sabe o que é Portugal por dentro. Com o rosto encrespado vira-se para mim a dizer soluçante “não gosto de lá, terra de seus parentes idiotas”, e, como não é a primeira vez que ela diz-me isso e dessa maneira, agora eu que me viro à sua vista. Quero é que a sua família espanhola vá à merda! “Vá você à merda, seu vagabundo! Só podia ser brasileiro esse bosta que apareceu em minha vida...saia de minha vida, dessa droga de casa, que nem mais se parece com uma”. Meu avô é português, digo isto para que, quem sabe, ela não me humilhe mais na origem. “Mas você nasceu naquele país de drogados”. Também há drogados, bêbados, loucos varridos como seu pai em Espanha. Esquecida do que tem na barriga ela me agarra com macheza. Risca-me com suas unhas na minha costela e arranca-me o piercing do nariz pelos dentes que se fazem vermelhos de meu sangue. Tomara que lhe dê doença com meu sangue, sua vadia! “Que dê! Que dê alguma praga no teu filho!”
Portugal está frio hoje ou é meu peito? Ou é o ar-condicionado que se quebrou de vez? “Vá consertá-lo” diria Claudia, mas eu nem me moveria no sofá. De lá da porta estreita ela surge. Rebolando para vencer a pouca largura. “Sinto desejo, amor.” De quê? “Quero comer o macarrão de minha mãe” Nem morto, penso, vou àquela Espanha imunda que estive quando fui à casa de minha sogra. Claro que sim, amor. Agora mesmo, dá-me o telefone para agendar as passagens. “Você é um anjo, bem”.

Sérgio Lima Nastasi
O Elogio da Preguiça

Deus e tempo são as mesmas coisas, só. Aquela criança teimosa que da avó ganha tudo o que deseja é o capitalismo. Se não fosse crime, poder-se-ia bater nessa criança, mas os estatutos da lógica capital não permitem. Um ser humano que passa horas a fio, para seu patrão continuar poderoso, dentro duma fábrica, perde sua vida. Lembro-me de “navegar é preciso, viver não é preciso”, é exatamente isso, trabalhar é coisa linda, porém, gozar a vida não, já é coisa do diabo. Será que em nossos feriados e férias estamos endiabrados? E o que dizer da palavra folga que virou sinônimo de preguiçoso, quando ao descermos para reencontrar seu real significado vemos que é apenas um dia de descanso? Mas deixando de folgas e vagabundagens, creio que este texto, por se tratar dessa tão sonhada essência: a preguiça, é levado com pouco rigor. E como já escrevi outro dia que este é o exato contrário moral de preguiça, sem moralidades meu caro leitor, nem terei o luxo (que é palavra capitalista) de revisar a ordem das razões destes argumentos. A preguiça é assim uma coisa gostosa. Mais vale um preguiçoso do que dois trabalhadores. Ah como quero bater naquela criança que citei acima! Vem, capitalismo, vai apanhar de cinto! Era para abrir novo parágrafo agora, mas estou com preguiça. Deus não inventou o trabalho. Se eu fosse ele não inventaria. Porque seria abominável a mim se um homem não tivesse tempo para cultuar-me. É óbvio que é. Um deus vive de culto. Estão percebendo como o trabalho é coisa do diabo? E agora como concluir isso antes que o sono me pegue por trás? Assim: se perdemos tempo trabalhando, morremos para os nossos divinos afazeres, seja lá o que eles são, todavia sublimes para si.
"O povo é o ópio do povo" Karl Marketing.